Eh pah, este Marinho Pinto e' um caceteiro. Muitas vezes e' realmente o unico a falar frontalmente sobre os problemas nas instituicoes em Portugal, mas acho estas declaracoes totalmente irresponsaveis. Ha outros mecanismos pelos quais os cidadaos podem pressionar os partidos a desempenharem melhor o seu papel. Num pais com uma taxa de abstencao tao alta e com tao pouca participacao dos cidadaos na vida politica, estar a apelar ao nao voto parece-me um mau, pessimo principio.
Pessoalmente como abstencionista convicto parece-me uma intervenção brilhante do Marinho Pinto. Estou cansado de ver como estes abutres limpam os restos e principalmente como conseguem sujar um País com tanta história ao ponto de servirmos continuamente de chacota internacional... eu para esse peditório já não dou... quero mesmo mudar as coisas mas acho que se como dizes existem outros mecanismos pelos quais os cidadãos podem pressionar os partidos a desempenhar melhor o seu papel ninguém no seu perfeito juízo teria deixado o país chegar a esta situação de degredo total.
Os mecanismos existem e estão previstos pela constituição. Existe é falta de iniciativa dos cidadãos para os conhecer e accionar, o que entre outras coisas se deve a vários factores:
- falta de sentido de dever e responsabilidade cívica, o qual devia ser incutido e fomentado no sistema educativo; - fraca capacidade de argumentação e raciocionio logico para debater ideias; - pouca tradição de associativismo e activismo em organizações da sociedade civil.
No fundo, o que quero dizer é que a democracia não se pode resumir ao acto de votar. Mas sem duvida que as eleiçoes continuam a ser um acto politico importantissimo. E sabendo como no passado houve quem lutasse e arriscasse tudo para termos esse direito, acho obsceno alguem sugerir tal como coisa.
Mais importante de tudo, não consigo vislumbrar o que é que tal medida poderia contribuir para solucionar o problema. Não vejo nada de construtivo nisto, apenas um tau-tau radical aos meninos que se têm portado tão mal, todos de castigo. Isso para mim não é nada.
Num tom mais pessoal, acho que se continuares a manter essa postura alheada de abstencionista convicto e não contribuires com mais nada, tens muito pouco a oferecer para solucionar os problemas. A não ser que me convenças do contrário.
Bom a única postura que conheço e que acredito que possa fazer a diferença é sair à rua e protestar, mostrar o meu descontentamento e nesse sentido creio que dentro do possível ( que é muito pouco ) tenho feito o que está ao meu alcance. Quero e posso fazer muito mais, mas tal como no passado penso que apenas saindo à rua e protestando se pode pressionar os partidos a desempenharem melhor o seu papel... ou como sugere o Marinho Pinto neste vídeo, não exercer o direito de voto de modo a poder de alguma forma retirar legitimidade a quem governa e possivelmente deixar-lhes na consciência que a maioria da população não está ao lado deles e não vai continuar a aceitar a contínua usurpação de outros direitos conquistados que foram convenientemente esquecidos... companheiro sabes que não tenho de convencer-te de nada pois é apenas a minha opinião e cada um tem a sua... mas claro que gosto de ouvir pontos de vista diferentes pois é a única maneira de evoluir...
Cada um tem a sua opinião, sem dúvida, mas temos de ser consequentes e responsabilizar-nos por aquilo que defendemos.
E é claro que não "tens" de me convencer, foi mais um desafio a que me demonstrasses que essa postura tinha algo a contribuir. Mas continuo com as minhas dúvidas.
Sair à rua e protestar é sem dúvida um mecanismo possível e que está ao nosso alcance. Assim como fazer greve. São formas de se demonstrar descontentamento e nesse ambito têm o seu contributo. Mas não se pode ficar só por aí, porque o alcance dessas iniciativas ficará sempre dependente da reacção que se gera a partir daí. O que defendo é a intervenção dos cidadãos ainda antes das coisas darem para o torto. Através de associações autonomas de vários ambitos, desde associações de moradores, foruns de discussão, ONG's especializadas em determinados temas, etc etc, e que sejam capazes de gerar alternativas, propor leis, interpor queixas judiciais, lançar petições, fazer queixas aos organismos da União Europeia, etc etc. Que conjuguem os seus recursos e conhecimentos de forma a se tornarem uma forma alternativa de poder, que seja capaz contrabalançar estado e privados. Que participem nas assembleias, que estejam a par das decisões que vão sendo tomadas e que intervenham se necessário.
O que é que tudo isto implica na prática? Isso ainda estou eu agora a descobrir, assim como muita outra gente, incluindo pessoas que participam neste forum. Se me insurgi contra a tua postura foi porque me parece que ela apenas contribui para o status quo da sociedade civil à portuguesa das ultimas decadas, que é em grande parte responsavel pela situação que se vive hoje em Portugal. Ficar de fora auto-excluido a apontar o dedo não é de todo suficiente.
Mas posso dar-te um pequeno exemplo. O facto de estarmos numa economia de mercado não quer necessariamente dizer que as empresas vão todas poder fazer grandes lucros, como se isso até fosse pecado. Quer dizer que em principio as empresas têm de competir entre si para conseguirem oferecer os seus serviços a preços que atraiam clientes. A ideia é que seja oferecido ao cliente um bom serviço pelo preço adequado, senão o cliente muda de companhia. Mais, para tal é necessário que haja um numero suficiente de empresas a competir entre si para que haja o tal mercado, de forma a que elas sejam obrigadas a procurar fornecer melhores serviços a preços mais baixos. Quando as empresas num determinado sector combinam entre si preços e serviços, chama-se isso um cartel, que é ilegal. Para evitar que tal aconteça, existem as Autoridades Reguladoras, as quais são responsaveis por verificar estas situações e interpor acçoes judiciais se necessário.
Ora, como já deves ter reparado, há anos que temos um numero muito limitado de operadores tanto de telemovel, como de internet e TV por cabo. Todas elas oferecerem o mesmo tipo de produtos, a preços muito semelhantes. Pior do que isso, toda a gente conhece alguem que passou pelas situações de ser cobrado serviços de internet que não se solicitou, publicidade enganosa de consumos ilimitados, etc etc etc. O pior de tudo é que as pessoas a maior parte das vezes não fazem queixa, limitam-se a mudar de operador. O que elas não sabem é que esta diversidade de operadores é uma ilusão e que na realidade quase todos eles pertencem aos mesmos grupos empresariais - chama-se a isto um monopólio, o que também é uma pratica ilegal. E mais cedo ou mais tarde vão acabar por encontrar o mesmo tipo de problemas, porque são praticas correntes neste sector onde os consumidores não cumprem o seu papel ao não fazerem queixa, tal como as Autoridades Reguladores são coniventes, o que dá espaço a um comportamento prepotente de total impunidade por parte destas companhias.
Daí que esteja neste momento a estudar como apresentar uma queixa sobre esta situação à Comissão Europeia.
Bem isto, já vai longo e o que era bom sem dúvida era conversar sobre isto pessoalmente.
Eh pah, este Marinho Pinto e' um caceteiro. Muitas vezes e' realmente o unico a falar frontalmente sobre os problemas nas instituicoes em Portugal, mas acho estas declaracoes totalmente irresponsaveis. Ha outros mecanismos pelos quais os cidadaos podem pressionar os partidos a desempenharem melhor o seu papel. Num pais com uma taxa de abstencao tao alta e com tao pouca participacao dos cidadaos na vida politica, estar a apelar ao nao voto parece-me um mau, pessimo principio.
ResponderEliminarVasco Diogo
Pessoalmente como abstencionista convicto parece-me uma intervenção brilhante do Marinho Pinto. Estou cansado de ver como estes abutres limpam os restos e principalmente como conseguem sujar um País com tanta história ao ponto de servirmos continuamente de chacota internacional... eu para esse peditório já não dou... quero mesmo mudar as coisas mas acho que se como dizes existem outros mecanismos pelos quais os cidadãos podem pressionar os partidos a desempenhar melhor o seu papel ninguém no seu perfeito juízo teria deixado o país chegar a esta situação de degredo total.
ResponderEliminarVasco Santos
Os mecanismos existem e estão previstos pela constituição. Existe é falta de iniciativa dos cidadãos para os conhecer e accionar, o que entre outras coisas se deve a vários factores:
ResponderEliminar- falta de sentido de dever e responsabilidade cívica, o qual devia ser incutido e fomentado no sistema educativo;
- fraca capacidade de argumentação e raciocionio logico para debater ideias;
- pouca tradição de associativismo e activismo em organizações da sociedade civil.
No fundo, o que quero dizer é que a democracia não se pode resumir ao acto de votar. Mas sem duvida que as eleiçoes continuam a ser um acto politico importantissimo. E sabendo como no passado houve quem lutasse e arriscasse tudo para termos esse direito, acho obsceno alguem sugerir tal como coisa.
Mais importante de tudo, não consigo vislumbrar o que é que tal medida poderia contribuir para solucionar o problema. Não vejo nada de construtivo nisto, apenas um tau-tau radical aos meninos que se têm portado tão mal, todos de castigo. Isso para mim não é nada.
Num tom mais pessoal, acho que se continuares a manter essa postura alheada de abstencionista convicto e não contribuires com mais nada, tens muito pouco a oferecer para solucionar os problemas. A não ser que me convenças do contrário.
Abraço,
Vasco Diogo
Bom a única postura que conheço e que acredito que possa fazer a diferença é sair à rua e protestar, mostrar o meu descontentamento e nesse sentido creio que dentro do possível ( que é muito pouco ) tenho feito o que está ao meu alcance. Quero e posso fazer muito mais, mas tal como no passado penso que apenas saindo à rua e protestando se pode pressionar os partidos a desempenharem melhor o seu papel... ou como sugere o Marinho Pinto neste vídeo, não exercer o direito de voto de modo a poder de alguma forma retirar legitimidade a quem governa e possivelmente deixar-lhes na consciência que a maioria da população não está ao lado deles e não vai continuar a aceitar a contínua usurpação de outros direitos conquistados que foram convenientemente esquecidos... companheiro sabes que não tenho de convencer-te de nada pois é apenas a minha opinião e cada um tem a sua... mas claro que gosto de ouvir pontos de vista diferentes pois é a única maneira de evoluir...
ResponderEliminarAbraço,
Vasco Santos
Cada um tem a sua opinião, sem dúvida, mas temos de ser consequentes e responsabilizar-nos por aquilo que defendemos.
ResponderEliminarE é claro que não "tens" de me convencer, foi mais um desafio a que me demonstrasses que essa postura tinha algo a contribuir. Mas continuo com as minhas dúvidas.
Sair à rua e protestar é sem dúvida um mecanismo possível e que está ao nosso alcance. Assim como fazer greve. São formas de se demonstrar descontentamento e nesse ambito têm o seu contributo. Mas não se pode ficar só por aí, porque o alcance dessas iniciativas ficará sempre dependente da reacção que se gera a partir daí. O que defendo é a intervenção dos cidadãos ainda antes das coisas darem para o torto. Através de associações autonomas de vários ambitos, desde associações de moradores, foruns de discussão, ONG's especializadas em determinados temas, etc etc, e que sejam capazes de gerar alternativas, propor leis, interpor queixas judiciais, lançar petições, fazer queixas aos organismos da União Europeia, etc etc. Que conjuguem os seus recursos e conhecimentos de forma a se tornarem uma forma alternativa de poder, que seja capaz contrabalançar estado e privados. Que participem nas assembleias, que estejam a par das decisões que vão sendo tomadas e que intervenham se necessário.
O que é que tudo isto implica na prática? Isso ainda estou eu agora a descobrir, assim como muita outra gente, incluindo pessoas que participam neste forum. Se me insurgi contra a tua postura foi porque me parece que ela apenas contribui para o status quo da sociedade civil à portuguesa das ultimas decadas, que é em grande parte responsavel pela situação que se vive hoje em Portugal. Ficar de fora auto-excluido a apontar o dedo não é de todo suficiente.
Mas posso dar-te um pequeno exemplo. O facto de estarmos numa economia de mercado não quer
necessariamente dizer que as empresas vão todas poder fazer grandes lucros, como se isso até fosse pecado. Quer dizer que em principio as empresas têm de competir entre si para conseguirem oferecer os seus serviços a preços que atraiam clientes. A ideia é que seja oferecido ao cliente um bom serviço pelo preço adequado, senão o cliente muda de companhia. Mais, para tal é necessário que haja um numero suficiente de empresas a competir entre si para que haja o tal mercado, de forma a que elas sejam obrigadas a procurar fornecer melhores serviços a preços mais baixos. Quando as empresas num determinado sector combinam entre si preços e serviços, chama-se isso um cartel, que é ilegal. Para evitar que tal aconteça, existem as Autoridades Reguladoras, as quais são responsaveis por verificar estas situações e interpor acçoes judiciais se necessário.
Ora, como já deves ter reparado, há anos que temos um numero muito limitado de operadores tanto de telemovel, como de internet e TV por cabo. Todas elas oferecerem o mesmo tipo de produtos, a preços muito semelhantes. Pior do que isso, toda a gente conhece alguem que passou pelas situações de ser cobrado serviços de internet que não se solicitou, publicidade enganosa de consumos ilimitados, etc etc etc. O pior de tudo é que as pessoas a maior parte das vezes não fazem queixa, limitam-se a mudar de operador. O que elas não sabem é que esta diversidade de operadores é uma ilusão e que na realidade quase todos eles pertencem aos mesmos grupos empresariais - chama-se a isto um monopólio, o que também é uma pratica ilegal. E mais cedo ou mais tarde vão acabar por encontrar o mesmo tipo de problemas, porque são praticas correntes neste sector onde os consumidores não cumprem o seu papel ao não fazerem queixa, tal como as Autoridades Reguladores são coniventes, o que dá espaço a um comportamento prepotente de total impunidade por parte destas companhias.
Daí que esteja neste momento a estudar como apresentar uma queixa sobre esta situação à Comissão Europeia.
Bem isto, já vai longo e o que era bom sem dúvida era conversar sobre isto pessoalmente.
Fica bem!
Vasco Diogo
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ResponderEliminar"La UE investiga si las operadoras bloquean el tráfico de Internet" - El País
http://www.elpais.com/articulo/tecnologia/UE/investiga/operadoras/bloquean/trafico/Internet/elpeputec/20110419elpeputec_4/Tes
BEREC - Body of European Regulators for Electronic Communications
http://www.erg.eu.int/
Abraço, Vasco Santos
Por presos na toca em Greve à democracia? às 15:52