"A Manifestação espontânea de dia 12 de Março, resultante de apelo no Facebook, atraíu meio milhão a Lisboa e Porto. Assembleias populares, a acontecer nas principais cidades, são o gérmen de uma revolta consequente.
Na sequência dos acontecimentos da Tunísia, do Egipto e de outros países do Magreb, onde os movimentos populares foram iniciados através do Facebook e outras redes sociais, um pequeno grupo de jovens portugueses abriu numa página do Facebook um apelo. Identificavam-se como "Geração à rasca"- jovens escravos laborais "pagos" a falsos recibos verdes conhecidos também pela "geração quinhentos euros" tal como na Grécia e Irlanda - desempregados crónicos.
A maioria das pessoas começou por não levar a sério este movimento, mas através de e-mails, nos twitters e SMS foram-se multiplicando e o movimento ganhou força, apesar da indiferença quase hostil de partidos políticos, sindicatos e da maioria da imprensa.
Apesar de Portugal aparentemente ser uma "sociedade de consumo moderna", existem muitas bolsas de pobreza escondidas por trás do verniz chamativo de modernos hotéis e campos de golfe - não há emprego. Portanto, aqueles jovens cujos pais eram "revolucionários" em 74-75 durante a "Revolução dos Cravos" não têm para onde recorrer. Eles são uma geração perdida, a "Geração à Rasca um" e não tiveram escolha senão ir para as ruas e gritar em voz alta "basta!". Rompendo o silêncio, o fascismo do silêncio que se tinha instalado nas suas vidas.
É por isso que cerca de 300.000, de acordo com a polícia, na verdade, mais próximo do meio milhão de pessoas, aderiram a uma manifestação convocada no Facebook e na qual ninguém acreditava que iria acontecer. Mas também os menos jovens aderiram, submergidos por um desemprego galopante e um custo de vida assustador e insustentável. A presença das mulheres de todas as idades era impressionante, elas que são as mais sacrificadas, as primeiras e ser desempregadas, as que pagam a crise duplamente...
Provavelmente "tudo" daria em nada, deixaria de ser notícia, submergidas as notícias com o tsunami no Japão ou algum massacre na Líbia…mas não foi "nada"!. Meio milhão de pessoas desfilando indignada numa manifestação organizada através do Facebook é um fenómeno novo. O crescimento da auto-organização descentralizada deixa os partidos políticos e os sindicatos corporativos, a direita e a esquerda, perante a evidência de serem absoletos. A extrema-direita esteve presente, tentando passar a imagem de serem "libertários" nacional socialistas, anticapitalistas… ignorarem-los pareceu ser uma boa solução. E eis que germinou em Lisboa, Porto, Braga e Coimbra a vontade de continuar, o sabor à liberdade de se auto-organizar… as Assembleias populares!"
“Um dia, a alegria do teu corpo, a liberdade do teu espírito e a acção da tua autonomia vão inspirar terror ao capitalismo”.
E.C. - indymedia.org
Vasco Santos
Sem comentários:
Enviar um comentário